
"Sin - Without". Litografia de Ed Ruscha. 2002.
Se eu pudesse domar
a memória daquelas tardes
a curva dos teus rins
desenhando
o rosto (in)provável da felicidade
no velame dos lençóis.
Se eu pudesse
trazer à boca
a sombra escarlate
dos lábios
porta derradeira
do teu tremor.
Se eu pudesse
acordar o réptil
que dorme em mim
e resgatar o poder demiúrgico
da tua geografia.
Se eu pudesse subtrair-me
ao império dos meus fantasmas
e não vivesse neste apego
paradoxal
à constância dos objectos.
Inventaria a tua fragância
na polpa dos dedos
e no calor peninsular do corpo
montaria uma coreografia de brisas
só para poder gozar
as pretensões metafísicas
do teu arrepio.