A Arte da Atenção.

"In line". Fotografia de Ori Gersht. 2005.
Aprender
a ler o silêncio
e dar carne
ao espaço ígneo
entre as palavras.
(Re)abrir os olhos
e celebrar
em cada uma
as bodas dionisíacas
do pensamento e da emoção.
Refundar a paixão
pela escassez.
Pensar um verso
que sendo fragmento
ponha cobro à fragmentação
e desenhe uma brecha num real
que não passa de encenação.
Estar atento à figura
que diz o silêncio
e a sua ausência
uma palavra de iniciação
como o sopro que vive inteiro
no recesso de uma flor.
Sílabas
habitadas pelo relâmpago
crepitando na boca
como se fossem
o ponto de apoio
de todo o universo
o poema é um pássaro
que voa o seu canto
som feito carne
que se imola num destino branco
chave de qualquer coisa
bálsamo de outra morte.
