A Natureza do Pranto.

"Lijiang River. Study 3. Guilin. China". Fotografia de Michael Kenna. 2006.
Fosse eu rio
caudal majestoso
de silêncio e morte
o corpo transmutado
num tropel de espuma
e entraria em ti
para sair
ufano
do aperto do leito.
Fosse eu rio
e fui-o
que este travo na boca
não desmente
o frio dos seixos
enrolando-me a língua
e estas mãos leriam
insones
a suavidade vertical
do teu desejo.
Fosse eu rio
matéria do tempo
travestida
e talvez compreendesse
a intimidade da sombra
e do prazer
como a pálpebra compreende
e desposa
a natureza líquida
do pranto.