A Vocação de um Corpo.

"Portrait". Óleo sobre tela. Wilhelm Sasnal. 2001.
Outra vez
me interrogo
sobre o que seja
a vocação
de um corpo.
O lugar
onde as palavras
servem um projecto
de reinvenção
do cosmos
ou a porta aberta
por onde espreita
o místico
ferido de intermitência.
Outra vez
esta urgência
de encontrar
a máquina ideal
que viesse revogar
a história
e fazer da noite
a redenção
da geografia.
Outra voz.
Queria
um canto
que fosse mais
que um destino.
Regressar
do exílio
com uma música
lunar
cantando-me o sangue
em harmónicos
desconhecidos.
Outra voz.
Como se
plantar
palavras
à sombra
de um corpo
fosse
consubstancial
à arte do som.
