O Rumor das Pétalas.

"Madrugada de 30 de Agosto. Cabanas de Tavira". Fotografia de J.A.S.. 2005.
Vi
a substância rósea
da manhã
e a graça
das pétalas
tombadas.
(Tudo é augúrio.)
Vi
a rosa
abraçada
à própria morte.
Um perfume
de vertigem
e esquecimento
impregna o tempo
de um lamento.
E senti
o vento
como o sopro
de uma sílaba
inelutável
desposando
o rumor doce
das pétalas
caindo.
(Tudo é presságio.)
Flecha do tempo.
Vento e flor
recuperam
o diálogo perdido
entre a terra e o céu.
A rosa diz
sem dizer
numa língua urdida
de verão
e noites estreladas.
(Tudo está na atenção
e nada mais
importa.)




